venerdì 18 settembre 2009

Então é isso...

Último dia, nadie se enoja...
Afinal chegamos ao último dia e daqui a algumas ainda muitas horinhas estaremos em casa todos.... juntos finalmente! Malas prontas, dentro do peso, algo a se admirar assim logo de cara, não precisei refazer nada ... até agora... nunca se sabe...
Ontem comemoramos aniversário e dia nacional chileno no PachaYnti, um bar-restaurante com música ao vivo e muita comida andina. Voltamos tarde, comemoramos muito e sentimos muita falta de quem não está aqui conosco. Teríamos dançado também!

Ainda um presente para comprar, um especial e lá vamos nós pegar o avião amanhã! Hasta luego!

domenica 13 settembre 2009

Mostra Fotográfica em Araraquara: Olharconsentido



Abertura da Exposição de Fotografias Olharconsentido no Centro de Artes da Uniara em Araraquara ontem às vinte horas. Depois da Exposição em San Martino na comemoração Intercultural, agora em Araraquara até dia 18 de setembro!

Foi uma noite de surpresas e fiquei muito contente com o resultado do trabalho. Tive convites para um próximo projeto de ensaio fotográfico e encontrei muitos amigos que há tempos não via.

Quem sabe nas próximas férias brasileiras trago um ensaio sobre o Carnaval de Veneza? As portas foram abertas...

lunedì 24 agosto 2009

e...

Nada. Como rosianamente acordei hoje, rosianamente acabo de dizer a única palavra que me é permitida nessa manhã vagarosa: NADA. Não, não vou dizer nonada... pra quê? Sabemos já o que significa e o que me provoca, sabemos que ainda tenho algumas semanas pela frente e que depois tudo recomeça, talvez, e apenas talvez, para nunca mais se repetir. Digo, esses meses de separação. Dependendo apenas de mim, NADA. Não se repetirá. Mas... não depende apenas de meu Nada. Meu Nada está repleto e transborda para além desses tres meses e tudo que espero e aguardo, é apenas meu café da manhã com as surpresas que o seguem, lá... bem longe daqui Sr. Kafka!

giovedì 20 agosto 2009

A partida

"... - Para onde cavalga, senhor?
- Não sei direito - eu disse -, só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar: só assim posso alcançar meu objetivo.
- Conhece então seu objetivo?
- Sim - respondi. Eu já disse: 'fora-daqui', é esse o meu objetivo..." F. Kafka

lunedì 17 agosto 2009

Ah!

... e teve Embú das Artes no domingo de manhã também! Há tempos que não ia lá e foi muito legal percorrer as lojinhas de artesanato, comprar fuxico... do qual sempre fui fã e atualmente apaixonada incontrolável... comer empanadas chilenas e trazer pra casa balas de côco com leite condensado... Foi ótimo!
A dúvida que persiste é: vai caber tudo na mala??

Maratona

Termina o sufoco. Amanhã pego o passaporte da Isi, coloco na carteira junto com a autorização de viagem que ficou pronta no Fórum e sento pra esperar o dia da partida :)
Êta burocracia!

Continua

Sim, continua tudo muito bizarro. De volta pra SP, depois de tres semanas na Morada do Sol, depois de tantas conversas e tantas fotografias, tantas voltas ao passado e tantas palavras que continuam não sendo ditas, eis que estou de volta à meio caminho de casa. Ainda faltam algumas semanas, mas acredito que faltará tempo para o que ainda tenho que providenciar. Sempre falta tempo e quando estivermos com menos de vinte e quatro horas para pegar o avião, aí sim que estarei totalmente maluca! Maluca por não ver a hora de voltar pra casa, maluca por ver que ainda precisava de um tempo por aqui. Vai entender!

martedì 4 agosto 2009

Tudo muito estranho

Ainda com muitos encontros e muitas surpresas. Todas as vezes que venho para cá, pelo menos uma vez eu acabo encontrando um ex aluno em qualquer canto da cidade. Isso me deixa maluca! E o de hoje estava com a mesma carinha de vinte anos atrás!
Passamos a tarde com minhas primas e tias. Nessas horas é que penso que estar longe é o melhor remédio para os relacionamentos de família... todo mundo é legal, todo mundo está bonito e todo mundo é simpático, e isso é verdade... me emocionei mesmo e foi muita gentileza da minha prima em organizar esse encontro. Fico pensando no tempo perdido de nossa infância quando nem mesmo nos lembrávamos em quantos primos éramos... acho tudo muito estranho...
Viver em outro continente é muito estranho, a volta é estranha e te deixa em outra órbita, seu passado toma outro significado e sua aparência muda em "blocos" assim como a aparência dos familiares... uma viagem no tempo. Às vezes boa, às vezes assustadora!

sabato 1 agosto 2009

Recolhendo histórias

Passei a tarde com meus tios, revi meu primo e seu filhinho de cinco anos com os olhos azuis como os do avô! Doce de batata doce, doce de leite e torta de limão, ai ai ai... assim não dá mesmo!
Tudo regado a muita conversa sobre os baús... e lá vou eu com as anotações e perguntas daqui e dalí. Acho que desta vez consigo alguma coisa a mais do que uma simples fotografia do bisa... vamos ver se volto com mais material para a grande obra!

venerdì 31 luglio 2009

eu te conheço??

A semana termina com o que foi programado feito: pediatra, dermatologista e dentista. Na Cooperativa de Cana, sessão coruja do avô que quer apresentar as netas até para a secretária que está de passagem. Tudo certo, tem lá o seu direito de avô que vê as netas a cada 12 meses ou mais... De repente passo por uma mesa e olho novamente sem muito pudor, algo que me surpreende, pois não ajo desta forma normalmente. Lá estou eu dizendo: "eu conheço você!" Depois de pronunciar e de me ouvir falando isso, vem o arrependimento, pois pode ser que me enganei, na verdade por um instante me parecia conhecido, no outro já não o tinha visto mais gordo na vida... sei lá... tem acontecido tanto nesta semana que não resisti e lancei logo um "eu te conheço... e completo idiotamente: "mas não me lembro seu nome". Aí sim fiz cara de maluca!
Ele por sua vez, todo sorrisos, aliás, não deve ser todo dia que alguém passa e coloca esse enigma para decifrar: Conheço da onde mesmo??
Avanço com um: "fizemos o colégio juntos!"Ele diz: "no Progresso!" e eu penso instantaneamente que definitivamente meti os pés pelas mãos pois eu nunca estudei no Progresso!
Mas antes que eu pudesse consertar o mal entendido ele completa: "fiz o último ano no Objetivo" e eu aliviada já estava quase lembrando seu nome...
Estudamos juntos sim e me lembro bem dele, do grupo que adorava um estilo sertanejo e que estava se preparando para a faculdade de Agronomia. Dito e feito: é agrônomo da Cooperativa, e ao que parece não se incomodou nada nada de alguém ter reconhecido seu rosto mas não se lembrado de seu nome.

Outro mundo mesmo

Eu havia me esquecido como as sextas-feiras e os sábados são diferentes nessa parte do mundo...
Pela manhã acordei com o barulho de água caindo e esguichando por todo lado... era minha mãe lavando a calçada... dia de faxina!
e para encerrar a semana ou se quiser ver por outro lado, para começar o final de semana com tudo em cima: todo mundo no salão para fazer as unhas!!! êta mundo véio sem porteira...

Dejà vu

Cheguei segunda-feira na Morada do Sol, com um tempo frio e esquisito. A miragem da cidade da rodovia W. Luis foi uma surpresa para meus olhos que há muito não a via. Não posso dizer que as vinte e quatro horas que passei em Araraquara no ano passado foram algo que pudesse me lembrar com agrado. Correria com cartórios e mudanças, além das visitas relâmpagos que tivemos que honrar. Tudo bem, um ano se passou e aqui estou, mais descomplicada e com menos assuntos para serem resolvidos, pelo menos não necessariamente têem que ser resolvidos às pressas.
Confesso que a cidade me surpreende a cada vez que chego. Mesmo que não encontre nenhuma mudança tão grande, os detalhes me deixam com aquela pergunta cerebral: "onde eu estava quando isso foi feito?"
Desde as primeiras horas tem sido uma experiência intrigante. Algum conhecido sempre está pelo caminho e me reconhecendo ou não, me observa com aquele ar de dejà vu inevitável. Fico parada, cumprimento, reconheço e me alegro. Meus pensamentos vagueiam como loucos em busca de momentos de convivência com esta ou aquela pessoa que acaba de me cumprimentar.
Está sendo bom estar de volta, mas apenas de volta de férias...

giovedì 23 luglio 2009

Saudades

Tudo bem que o tempo passa e passa bem rapidamente é verdade, mas quando a gente sente saudades, não adianta olhar o calendário nem o relógio. Saudades "punto e basta"!
Em meu relógio posso ver a hora daqui e de lá, sei quando posso ligar ou estar online e sei quando posso estar em seus sonhos, ou antes, trazer você para os meus.

lunedì 20 luglio 2009

O Motivo

Bom... o motivo foi o de reunir toda, ou ao menos parte da família! E lá fomos nós para um hotel por quatro dias inteirinhos...
Descanso para os adultos e distração para as crianças. Não faltou confusão para decidir o que fazer é lógico, pois enquanto um ou dois queriam ir à piscina, outro queria jogar pingue-pongue, outro queria o tal do "esporte-radical"! E haja instrutor para todos!
De minha parte fazia minha siesta e jogava cartas com a Yaya... ahí está...eso es...

Águas de Lindóia

Se bem me lembro, esta foi a terceira vez que estive em Águas de Lindóia. A primeira foi com meus pais e era ainda muito pequena para me lembrar de como fui parar alí, onde ficamos e como passamos os dias na cidade, na segunda vez estava com meu amor e minha filhinha e agora, com um batalhão de gente: a bisa, meus sogros, os sobrinhos e minhas filhas, com direito à chegada surpresa de meu cunhado direto de Santiago.
A estadia foi ótima... nos divertimos bastante no hotel que oferecia atividades para as crianças e consequentemente tempo de folga para nós... piscina aquecida e comida tentadora!
Nos jogos de salão, à noite, nas perguntas sobre filmes e trilhas sonoras, lembrei-me de meu querido que certamente não erraria nenhuma trilha sonora! Contribui com alguns acertos, ainda que tenha também contribuido para que soubessem mais ou menos à que geração pertenço, pois enquanto alguns garotos acertavam as músicas de "Madagascar", eu ia de "Casablanca" e "A primeira noite de um homem"! rsrs
Nada de dias frios de inverno como achávamos que íamos encontrar. Fizemos algumas compras, principalmente de doces de leite e roupas de lã... hummm que maravailha... Eu sempre com minhas contas em euros e vendo se valia a pena comprar... No final, acho que fiz boas compras...

domenica 12 luglio 2009

Um encontro

Na verdade, apesar de já terem se encontrado antes, esse foi o que podemos chamar de verdadeiro encontro com a bisa. A Karen tinha apenas dez meses quando fizemos aquela fotografia da Yaya segurando-a no colo e logo depois, teríamos pela frente nove anos nos separando. Nesse intervalo, nasceu a Isabel e mais um primo. Assim que, nada mais oportuno do que aproveitar de nos encontrarmos novamente aqui, na metade do caminho... Ela vindo do Chile e nós da Itália...
Pareceu-me mais emocionante a mim e à Sr. Mirta do que propriamente a elas, não sei... acredito que com os anos o significado dessas férias fará mais sentido do que agora. Assim espero.
Muitas fotografias, e muito castellano na cabecinha das meninas. Elas estão se saindo muito bem!
Junto com ela vieram os primos que agora estão vivendo em Santiago. Desta vez estão maiores e estão descobrindo coisas em comum e aprendendo uns com os outros, a Isi com o Sebastián e a Karen com o Dani... Belas e divertidas férias para eles...

venerdì 10 luglio 2009

Mais uma semana

Final de semana passada fui ao Aeroporto de Guarulhos para a despedida das tias. Depois de algumas semanas por aqui , voltaram para o Chile com tudo o que tinham direito e ainda mais um pouco, daí a confusão com o embarque e tudo o mais que bem ou mal sempre acontece em viagens, principalmente quando somos daqueles turistas (ou viajantes) que sempre voltamos com o triplo de coisas do que partimos... é sempre assim.
Eu de minha parte estou na fase quase "elas por elas"... uma bagagem por uma e meia no máximo! Mas só eu sei o quanto demorei para chegar a esse ponto civilizado de se viajar... Assim não aborreço ninguém e nem a mim mesma! e ainda naão preciso me preocupar com pagamento de bagagem fora das especificações! Nossa!
Mas o que me intrigou foi outra coisa. Ir ao aeroporto. Há tempos que não ia a um sem ter que pegar avião que me levasse daqui pra lá e de lá pra cá! Digo que são duas experiências totalmente diferentes e intrigantes. Nessa condição, digo, de apenas observadora, pude ver-me refletida nos rostos das pessoas que se abarrotavam nas filas de chek ins, de embarque, de chegadas... de reclamações... dos táxis... de tudo... eu estava lá... de testa franzida, de ombros tensos e olhar quase assustado (apesar das milhas de vôo já...).
Pela primeira vez depois de tantos anos, pude estar lá sem a ansiedade das bagagens, sem a tensão do atraso e sem o receio da decolagem... Ufa! que alívio!
Mas a grande verdade é que adoro viajar... de avião... de trem... simplesmente adoro e se pudesse conseguir cada vez viajar mais e mais leve... seria o meu objetivo atingido com glória!!!
Sabe... chegar confortavelmente no horário, ficar na fila sem se importar com a demora pois não estaria carregando nada mais do que minha bolsa básica com meu livro de leitura e minha câmera fotográfica, entregar meu passaporte e o bilhete, saber que o avião sairia na hora marcada, não ter que tirar nem cinto (pois teria me lembrado de não o colocar) e nem relógio por ter dispardo o alarme (nas três últimas vezes passei descalça! nada de botas nos próximos vôos ou pelo menos coloco uma meia bonitinha!) fazer uma comprinha que valesse a pena no Free Shop... sentar-me lendo meu livro ou escutando música até que começassem a embarcar, subir no avião sem problemas com a bagagem de mão que não estaria me incomodando pelo peso, conseguindo levar meu sobretudo sem problemas, dar bom dia ou boa noite às comissárias de bordo no idioma que fosse necessário (sem que me desse "branco" na hora), achar meu lugar sem que ninguém estivesse nele! colocar sem dramas meus pertences no compartimento reservado e LIVRE para meu lugar, me acomodar e saber que os filmes que passariam seriam todos ótimos!

Assim... fácil.... fácil....

Até que estou chegando lá...

PS: Hoje vamos novamente ao aeroporto... chegam os primos e a bisa... do Chile lógico!

sabato 4 luglio 2009

Chuva e guaranà

O tempo esta passando e realmente a falta que faz estar em casa todos juntos é imensa. Sessao de cinema em casa com as meninas e E.T. que ha tempos nao via! Elas gostaram e eu comi bastante pipoca!
Toda noite vemos filmagens antigas e elas se divertem muito se vendo pequenininhas e falando espanhol!
Passeamos no Guaruja no final de semana e apesar do tempo nublado e um pouco de frio que fazia, nos divertimos com nossa festa do Pijama, dos "queijos coalho" na praia e da feijoada do almoço de sàbado! Haja regime!
Sao as saudades que me atormentam e nao posso dormir bem a noite, isso sim me faz pensar que aqui nao estou em casa. Sera?

domenica 28 giugno 2009

Abrindo as janelas

Abrindo as janelas e deixando arejar os armários ao som de música nova. Meu som agora é do tempo que temos e nada mais. Deixo o verão na Itália e enfrento o inverno de 18º C daqui (rsrs). O importante é que encontramos tudo em ordem e que poderemos passar esses três meses como se estivéssemos em casa! rsrs. E não estamos? Sim, estamos sem dúvida, mas faltou uma passagem junto com a nossa desta vez e tenho que admitir que não está nada fácil passar os dias assim sem você meu querido.
Ok. Ginástica, esporte com as meninas, passeios com os avós, praia (!) mesmo com o tempo nublado, pipoca assistindo velhas filmagens de férias que encontrei guardadas, bolo de fubá, guaraná e muito guaraná!!!! Como é bom voltar de vez enquando! mas só de vez enquando!

Duas semanas

Despedida de Veneza com a abertura da Bienal e algumas visitas a mostras que ainda terei tempo para ver em outubro (espero). O vôo foi terívelmente tenso e engraçado, por um lado pela história do avião da Airfrance, por outro por causa das bizarrices que sempre acontecem nos vôos que vêem ou saem do Brasil. Bizarrices à parte, não estou sendo preconceituosa não! Temos que admitir que fatos são fatos e brasileiros são brasileiros, disfarçados ou não de europeus temporários. Reconhecíveis à anos luz de distância e isso nem sei muito bem explicar como. O importante é que chegando no Brasil sempre me sinto mais ou menos segura, e paradoxalmente mais ou menos vulnerável.
Essa sensação de segurança é válida, mesmo com a certeza de que aqui não quero e nem conseguiria mais viver, sim, gosto de onde estou e não quero ter que pensar novamente no dia-a-dia brasileiro. Sem nacionalismos por favor! Sou italo-brasileira e não posso negar, e nem quero negar ou me esquecer pelo simples fato de que a minha história é essa.

giovedì 4 giugno 2009

e o que dizer desta foto aqui...?

foi uma tarde de fotografias estranhas...

Dieta

foto feita em Insbruck... me fez lembrar da dieta que prometi a mim mesma e estava quase esquecendo....

Passagens marcadas

Tenho apenas nove dias. Armarios arrumados, casa em ordem, jardim nem tanto, mas convenhamos... presentes quase todos comprados, malas quase prontas, afinal nunca consigo mesmo deixar as malas feitas com muita antecedencia. Um certo misterio no dia de nossa chegada no Brasil e a espera do ultimo dia de aulas das meninas. Partimos proxima semana... Tres meses com muitas coisas planejadas e a certeza de que o tempo sera curto para tanto e longo demais para ficarmos separados. Desta vez iremos sozinhas, nada agradavel, mas necessario.
Contatos feitos e uma Mostra fotografica quase acertada é o que me dà animo alem de rever familiares e amigos, afinal tenho que fazer valer esses tres meses e pretendo voltar com algo mais do que fotos de férias. Desta vez ou vai ou racha, como se diz...
O livro? Bom... o livro também esta nos planos, mas nao quero ser precipitada com esse assunto. Vamos ver o que acontece com os passos que darei por la.
Ja espero pelo inverno. Ano passado foi terrivelmente frio em Sao Paulo, quando minha mala estava lotada de roupas de meia estaçao... nada de praia.... Desta vez serei mais cuidadosa e tentarei nao errar tanto nas roupas que levarei. Deixo o calor para o proximo verao daqui ou de outra parte do mundo, nunca se sabe onde é que vamos parar.

venerdì 22 maggio 2009

Preparativos

Uma das coisas mais malucas a que eu nao estava acostumada e que quase sem querer acabei me habituando a fazer é a "troca de estaçao" (ainda estou sem os devidos acentos ortograficos aqui nesse teclado!).
Acaba o inverno, o sol começa a aparecer e là vamos nòs a fazer a "Limpeza de primavera" na casa, com tapetes, cortinas e edredons sendo lavados ou trocados por outros mais leves e mais alegres...
As roupas dos armarios também sao devidamente colocadas em outra parte para dar passagem aos vestidos leves, shorts, camisetas e bonés para sol... Os casacos? as botas? bom... eu que nao tenho muito espaço aqui, como a maioria dos mortais europeus, coloco tudo direitinho em malas e as deposito na garagem là embaixo a espera do proximo inverno, ou outono, nunca se sabe.
Toda essa faxina e reorganizaçao doméstica "regada" a uma bela alergia "estiva" ou se preferir, alergia de primavera... aquela que com tanto pòlen de plantas pelo ar e logicamente acredito que também tanta poluiçao, deixam boa parte da populaçao (eu incluida) com espirros, nariz tapado e olhos vermelhos como se passasse o dia inteiro chorando.... o que acaba dando muito motivo mesmo para tal.
Médico? Quase nem me olhou e me disse: "Tratemos como alergia!" e me passou antiestaminico e colirio... continuei com o meu soro fisiològico que mal nao faz e no Brasil vou ao oculista para ver mesmo essa "chamada alergia".
De outra parte, muito o que fazer aqui em casa ultimamente. Nada de horas de estudo pela manha como vinha fazendo e nada de moleza. Tenho menos de um mes para deixar tudo em ordem por aqui, entenda-se: roupas arrumadas nos armarios, como estava dizendo da troca de estaçao, com botoes e barras para costurar, roupas que nao servem mais para doar, livros para separar e resolver se levo para o Brasil ou deixo por aqui... presentes para terminar de comprar e ainda a famigerada dieta que nao esta funcionando e me deixa deprimida... perder quilos antes de viajar? nada... miseros quilogramos e olhe là... Mas ainda tenho alguns dias para fechar a boca, vamos ver até onde vai minha força de vontade!

mercoledì 13 maggio 2009

SEM TEMPO


Ultimas noticias...

Nao escrevo ha tempos. E nao somente no Giramondo, mas de verdade que nao tiro uma palavra de la de dentro ha tempos e nem mesmo sei dizer o motivo.
Muitas coisas teem acontecido, isso sim... maio iniciou com aniversarios e festas e continuam os planos até o final do mes. Preparativos para a Mostra Fotografica, preparativos para a Festa de Intercultura, preparativos para a criaçao da tao esperada Associaçao... "E non solo..."
A unica coisa desagradavel é essa alergia de primavera (?) que me deixa com os olhos inchados, com coceira, vermelhos, o nariz tapado... a cabeça cheia de novalgina e oculos escuros sempre...sempre...
Estou indo ao medico daqui a pouco... veremos...

mercoledì 15 aprile 2009

Vitrine


O que se pode fazer com um chapéu... em Zurique?

Café em Veneza


Surge em 1720 o mais aristocratico e famoso Café de Veneza, O Café da "Venezia trionfante", assim chamado, mas mais conhecido como Café Florian. Giacomo Casanova, Wolfgang Goethe, Lord Byron, Alfred Musset e tantissimos outros persongens das artes e da politica frequentavam suas salas que ainda hoje encantam os turistas... dispostos a gastarem mais de cinco euros por um café... no entanto, sentarmos ali e deixarmos a imaginaçao solta e os sentidos alertas, vale muito mais do que apenas cinco ou dez euros... se quiser uma torta pra acompanhar!

martedì 7 aprile 2009

Aula de musica


Não era longe de casa. Algumas quadras já conhecidas e uma rua especial toda tomada por árvores dos dois lados da calçada. Um jardim sombrio e misterioso estava alí no caminho à aula de música.

Nunca passeara por ele, não a levavam a jardins públicos e nunca mesmo caminhava à pé pelas ruas da cidade. Mas naqueles dias, começava a sair sem pressa e sabendo muito bem por onde caminhar. É certo que sua irmã ia com ela, é certo também que nunca saia realmente sozinha, afinal as classes eram no mesmo horário para as duas não por acaso. Suas professoras de piano as esperavam. Às vezes as viam olhando pela janela do casarão. Uma na janela da direita, outra na janela da esquerda - suas salas de música. No início sua sala era no fundo da escola, uma espécie de depósito transformado em sala de aula. Minúscula e escura. Sem janelas e por isso as luzes permaneciam sempre acesas, coisa que a irritava desde então. Não que não gostasse de sombras, não que não gostasse também de música em sombras, o que não a agradava em nada era o espaço claustrofóbico daquele lugar onde apenas cabia sua professora, ela e o piano, nada mais. Por isso, talvez, os sons lhe saiam tão reduzidos, tão abafados desde então.
Logo depois das primeiras letras musicais aprendidas, passou à Senhorita Margô, na sala maior com janela maior e vista para a rua Cinco. Era daí que a esperava cada dois dias na semana para as aulas de piano, solfejo e teoria musical. Dez anos caminhou pela rua Cinco em direção ao Conservatório das irmãs Tescari. Depois disso nunca mais viu a senhorita Margô na janela esperando-a.

martedì 31 marzo 2009

Perfumes

Quantos odores podemos guardar na memória? Eles nos assustam e nos fazem companhia quando a presença já não pode satisfazer. Faz com que um simples girar de olhar nos transporte para um lugar que está muito bem protegido pelo silêncio e esquecimento que o dia-a-dia requer. Associar sempre um perfume agradável a algo agradável é óbvio demais e nem sempre funciona dessa maneira.
Nossos poros exalam saudades que não se explica com o agradável. Muitas vezes a confusão se faz em nossa mente por estarmos procurando uma imagem e um odor que nos transporte. A procura nem sempre é consciente e quando chega o momento, já estamos tomados pela sensação de prazer, alívio ou mesmo de angústia provocada pela saudades.
A mim ocorre exatamente isso, digo, o contrário do esperado, certo perfume em outras épocas muito agradável, sofisticado diria até, traz-me de volta dias de sufoco, dúvidas e solidão, ainda que esteja associado a uma pessoa que estava prestes a escolher um caminho para compartilharmos. Na verdade, esse caminho não existia para mim. Era nada mais do que uma época de transição e descobertas de uma vida por si mesma, longe de todos e de todo espaço conhecido de toda vida. A dificuldade de linguagem e o aprendizado de um novo idioma totalmente diferente do funcionamento de meu cérebro como é o alemão, havia deixado essa brecha para tal perfume. Hoje já não o suporto nem em memória.
Depois de tanto tempo, ainda me transforma quando sem explicação alguma o sinto em algum transeunte pelas ruas, e sempre o resultado é o mesmo: desagradável demais, ainda que concordo que o perfume em si seja muito bom.
Por outro lado, todas às vezes que estou nos meus afazeres domésticos e inevitavelmente uso certo produto de limpeza à base de cloro, paralizo. Esse é o primeiro perfume de minha vida adulta. O mais tranquilo, o mais agradável ao meu corpo e sobretudo o que mais me transporta ao passado de maneira quase física. Posso reviver dias inteiros somente com um segundo sentindo cloro em meu nariz. Tenho a sensação de que nado no passado de forma nunca antes conseguida. Nado sobretudo no que fui e me tornei.
A primeira vez que senti esse perfume não gostei, afinal esse sim era um odor desagradável, mas tudo é tão relativo que com o tempo e a distância, a memória e o aprendizado, esse odor passou a ser minha passagem de ida.
Há alguns anos que tenho um estojo de pequenos perfumes, sendo que um deles usei durante toda a gravidez de minha primeira filha. Toda a experiência dessa época está guardada nesse estojo, onde de forma mágica e delicada revivo meu corpo se transformando, meus sentidos se apurando e finalmente minha vida dividida se assomando ao mundo.
São momentos que estão em mim e que os capto no mundo, no dia-a-dia atarefado de meu caminho e descobertas de novos rumos e perfumes, num processo químico e psíquico maravilhoso.

venerdì 27 marzo 2009

Fuga

Beethoven foi um dos primeiros compositores de sua época que compunha o que queria e nao o que lhe pediam, seguindo seriamente seu pensamento de que "um artista é todo aquele que acredita em si mesmo". Quando apresentou a fuga que ficou conhecida como a "Grosse Fuge" opus 133, ninguém entendeu nada, ninguém gostou e pior, foi chamado de "louco surdo" e sua musica criticada como sendo um erro horrivel do grande mestre Beethoven.
O fato é que ninguém mais a nao ser Beethoven poderia mesmo ter simplesmente "retirado" do mundo essa musica desconsertante. Basta ouvi-la. Basta lembrar que ele a compos completamente surdo aos sons que conhecemos como normais. Compos essa grande Fuga com sua mente clarividende que tinha, com seus ouvidos atentos que tinha e com sua emoçao de artista que foi. Uma grande chance de ouvir a nos mesmos.


PS: Beethoven falesceu em 26 de março de 1827...

giovedì 26 marzo 2009

Um olhar de retorno



Por que imigramos é a pergunta que se estampa em nossos rostos. Não há nada de sutil nessa questão, nem ao menos nada de fácil para se compreender. O motivo é cotidianamente criado em nossas mentes por questão de sobrevivência. Sou italo-brasileira, recém retornada ao Vêneto, terra de minha família paterna e materna. Terra que começo a reconhecer exatamente como a sentia nos detalhes incompreensíveis para mim então, de uma infância convivida com avós, tios e tias, todos eles de origem italiana. Sair do terreno conhecido, sair do limite da existência vivida até então, poderia ser um ato de coragem ou de covardia. Há sempre dois lados, como sempre haverá dois caminhos. Se um dia despertamos convictos do que estamos fazendo, ou se no outro somos carne, ossos e dúvida para transcorrer o dia que se nos coloca diante dos olhos cansados e sonolentos, somente nossos dias futuros nos dirão ou ao menos nos darão uma sensação a mais para a tentativa de compreensão que hoje nos é difícil, senão quase impossível. A leitura de notícias do país deixado é algo que ainda se faz necessária. Uma pequena parte do tempo pensada em como poderíamos voltar a viver nesse lugar, e a quase certeza de que não podemos mais voltar. As malas, no entanto, estão a espera. Prontas a serem colocadas no próximo trem a qualquer parte, qualquer parte que não seja o passado. Este já perdido, este já quase esquecido apesar de relembrado a cada passo dado claudicante em terreno estrangeiro. Aqui, deixei de ser estrangeira. Tornei-me cidadã de dois mundos tão distantes quanto vizinhos em seu passado de imigrações. Se há um século, milhares de europeus imigraram em diversas direções, principalmente à América, hoje essa invasão, como a chamam os meios de comunicações e governos xenófobos, faz com que sintamos o quanto o mundo caminha para se transformar numa única pátria. A pátria do ser humano que se desloca e se coloca num habitat escolhido. Já não está a mercê do destino que lhe coube enquanto ser que nasce num dado lugar, num dado tempo. Escolhe sua casa, escolhe seu trabalho, escolhe seu espaço. Estamos escolhendo nosso céu que nos proteje. Estamos provando o gosto do estranho, a cada dia transformamos o estranho em conhecido, deixamos de ser estrangeiros e o passamos a ser a cada dia, eis o grande desafio e paradoxo de nossos dias. Provar um novo sabor hoje, para mim, vai muito além do simples saber seus ingredientes e juntá-los com cuidado e curiosidade para servi-lo e saboreá-lo à mesa. Hoje, tenho em mente que uma outra história se esconde na folha de basílico ou no pinole que acabo de adicionar ao prato. Alguns desses ingredientes passaram décadas até serem reconhecidos como velhos sabores no dia-a-dia vêneto. Passo a imaginar as modificações que causaram ao chegar à América e que causariam ao desaparecerem com seus imigrantes às avessas. Sinto-me como uma imigrante às avessas. Tomar parte desse espaço hoje, depois de pouco mais de cem anos, nem tanto, é um retorno de uma longa viagem de reconhecimento, de abastecimento, de fim de experiência a longo prazo e de consequências incontroláveis aos que aqui na Itália ficaram, e aos que morreram tão longe de casa, deixando uma grande família de desconhecidos e quase alienados da história verdadeira da partida, de um recomeço e de todo o significado de uma vida longe de casa. Para o imigrante, muitas vezes reina o silêncio. Sei agora que sentir-se em casa depende de muitas coisas, muito esforço e aprendizado. A cada gesto sutil de um simples apertar de mãos, olhar nos olhos ou fugir desse olhar no confronto com alguém, reconheço gestos de quem nasceu longe, cresceu e vive sem nunca ter visto os campos vênetos e suas cores, seu verão e seu inverno, seus radíquios de estação na mesa e a polenta que lembra os dias difíceis de uma época não tão longe assim. Lembro-me dos rostos de minha família, lembro-me do dialeto vêneto que então pensava ser um português mal falado, mas que era, ao contrário, um dialeto que vive ainda, repleto de riqueza cultural de seus falantes, seus termos carregados na mala de quem partiu e que não imaginava voltar nas malas de seus descendentes. Começo a aprender a olhar. Um olhar consentido e com sentido. Para trás e principalmente para frente. Voltar e trazer notícias longínquas, no tempo e no espaço e não deixar que o cheiro de basílico se perca no tempo novamente.

mercoledì 25 marzo 2009

Nossa viagem


Sabado passado saimos para comemorar. Ja se passaram onze anos e ainda estamos com o mesmo pé-na-estrada com que iniciamos nossa viagem. O mesmo entusiasmo e a mesma vontade de conhecer lugares e se conhecer, o que acaba sendo inevitavel e muitissimo importante, pois se nao fosse assim, como ficar juntos por tanto tempo? Como manter o interesse e como ainda conseguir surpreender um ao outro? Acho que estamos no caminho, embora algumas vezes possa parecer a nos mesmos que pegamos um beco sem saida, mas no final a paisagem que se mostra é maravilhosa e todo o possivel desconforto de uma viagem "mochileira" acaba dando grande prazer, como tudo nessa vida... E nossas filhas sao um presente lindissimo que recebemos de Deus por termos acreditado que sozinho nao se chega a nenhuma parte...

sabato 14 marzo 2009

Ghetto

Ghetto è o nome do “quartieri” onde, desde 1516, deviam morar os judeus residentes em Veneza por ordem do governo. A presença de judeus sempre provocou mal humor e desconfiança pela inveja ao poder financeiro que apresentavam além da historica antipatia crista verso esse povo. Decide-se portanto de dar-lhes uma pequena ilha da laguna a que foi logo chamada de Ghetto Vechio. A origem da palavra, provavelmente è devido ao fato de que nesta area se desenvolvia antigamente a fundiçao publica, onde portanto se “fundia”, ou seja, “gettavano”. E por ser Veneza a cidade da época que mais se destacava, esse termo se difundiu e entrou em uso em toda a Europa para denominar o ambiente obrigatorio reservado aos judeus.
O Ghetto era circundado de um alto muro e seus habitantes nao podiam sair de noite do “quartieri”, pois do anoitecer até o amanhacer eram fechadas as portas e levantadas as pontes que faziam a ligaçao do canal circundante.
Andar pelo Ghetto veneziano è uma experiencia unica: Sinagogas e construçoes de casas estreitas e altas de até oito andares, para suprirem o pouco espaço que lhes era reservado. Ainda hoje, se andarmos em silencio, se olharmos para cima e observarmos cada detalhe, podemos quase sentir seus habitantes de antigamente…

giovedì 12 marzo 2009

Meu desktop no La Repubblica...

E nao é que foi escolhido para participar? olhem sò.... http://www.repubblica.it/2008/12/gallerie/tecnologie/desktop-145/17.html

O dia das mulheres por aqui...

O dia das mulheres passou. Houve aqui na cidade uma comemoraçao com apresentaçao de Concerto musical e leitura de poemas a que fui convidada para ler um poema em lingua portuguesa de autor brasileiro. Fui com prazer encontrar-me com a organizadora. Estava curiosa para saber qual poema iria ler, quando foi grande a minha decepçao. Tinham colocado no programa a cantiga de roda "se essa rua fosse minha..." O que acontece com os autores brasileiros? Gostaria de saber por onde andam? Nao ha traduçoes? Nao ha interesse? Ora! Fiquei chocada e triste. Disse que voltava com um texto de verdade.
Levei um poema de Cora Coralina, ja que o dia era para se falar de mulheres... e aqui esta o texto que li, juntamente com outras leituras de textos de diversas linguas com as respectivas traduçoes em italiano para o publico que estava presente.


Aninha e suas pedras


Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

lunedì 2 marzo 2009

Leituras do Paraiso


Meu pai tinha uma coleção de revistas enciclopédicas. Creio que ainda a tem, e que ainda estão no mesmo lugar de onde eu as tirava escondida e as lia de maneira desesperada, olhando vez e outra se não se aproximava ninguém que fosse me tirar dalí, ainda que não soubesse o porquê desse temor e ainda que também não soubesse nessa época, que ninguém iria me tirar daí, que ninguém de fato iria se importar com o que estivesse lendo ou descobrindo.
Eram fascículos de uma edição “Bloch” dos anos 60. Estava começando a ler minhas primeiras palavras e meus primeiros assombros, quando descobri essas revistas de meu pai. Ficavam numa gaveta muito grande de sua escrivanhia. Até hoje não sei o porquê de estarem tão guardadas, quando na verdade deveriam estar à vista, numa estante de livros ou ainda sobre mesas, móveis e inclusive junto a nossos brinquedos, esparramados os livros e as crianças.
Comecei a ler muito tarde. Tinha sete anos quando fui alfabetizada, três anos a mais que minha filha que aos cinco já sabia que a leitura de Don Quixote pode nos deixar malucos, nas palavras dela. Preocupou-se quando eu lhe disse que iria ler as aventuras desse cavaleiro dos sonhos, dizendo-me que eu ia acabar vendo dragões em moinhos de vento. Que imagem maravilhosa se tem aos cinco anos. Que sentimento maravilhoso tive então ao ouvi-la tão singela e sincera em sua preocupação de menina que começa em suas descobertas.
Minhas descobertas literárias são recordações que tenho e que me tomam de emoção e sentimento de se estar num mundo das maravilhas, ainda que então, tais descobertas me maravilhavam de uma maneira assustadora.
Foi numa edição sobre Dante Alighiere e sua Comédia Humana. Havia gravuras, imagens impressionantes para uma criança que tomava tudo quanto via escrito ou registrado em papel, como sendo verdadeiro. Um registro da verdade do mundo. Um registro da realidade que sábios colocavam em livros. Assim pensava essa menina nos seus primeiros anos de leitora.
Não se pode dizer que essa confusão de entendimento não ocorra sempre, ainda hoje, com leitores mais experientes que essa leitora de então. Na verdade, a magia de se entrar no mundo da leitura, pode ser complexamente comparável à magia de se tornar adulto, mulher, mãe. Exagero.
Minhas impressões do que fosse real e imaginação não existiam para o papel. Se algo se apresentava como conto fictício, aceitava-o como tal, mas se algo se apresentava como uma reportagem, ainda que não soubesse o que fosse isso, desconfiava que deveria aceitar como algo verdadeiro e real. E foi assim que acreditei que o Inferno existia realmente e que até se poderia ter imagens dele, afinal “esse tal” Dante, de quem até uma pintura aparecia junto ao texto, havia estado nele, até diziam quantos dias e quantas pessoas havia encontrado por lá. “Um tal” Virgílio e todas aquelas pessoas que sofriam no Purgatório. Foi aterrador para a menina que começava seu mundo de leitora. Pensava então porque tanta gente duvidava ainda da existência do Inferno. Não sabiam que Dante havia estado nele e que havia feito um relato sobre isso? Não sabiam que havia tantos degraus para se descer ao Purgatório que era a primeira parada para então se chegar ao último estágio, o tão temível e desacreditado Inferno?
Passei anos acreditando que Dante havia descido realmente aos Infernos para nos descrever a Comédia Humana. Hoje, apesar de já saber ler textos e não apenas palavras, ainda acredito e talvez com mais certeza ainda, que Dante realmente desceu aos Infernos para nos trazer o retrato da comédia humana em que vivemos.

domenica 1 marzo 2009

Beatrice e Dante

Entrando no tema do Eleituras desse mes, os pecados Capitais, minha amiga escolheu a Divina Comédia... nada mais nada menos... e eu me lembrei de ressaltar essa figura que serve a Dante, depois de Virgilio, para o conduzir pelos caminhos do Inferno...Purgatorio... e finalmente o Paraiso. Dante ve em Beatrice, sua elevaçao espiritual e moral, ja que no ambito terreno sua relaçao foi de uma amor "cortes"... platonico...
Beatrice, a mulher amada em sua juventude, foi a musa a quem Dante dedicou diversos poemas enquanto vive, quando morre, em 1290, aos vinte e quatro anos apenas, continuou a ser presente para o poeta, símbolo e figura da Teologia, que para Dante era a ciência das coisas elevadas através das quais o Homem chegaria à felicidade eterna.
Na verdade, segundo Boccaccio, viveu em Florença, no tempo de Dante, uma mulher chamada Beatrice, filha de nobre de sobrenome Portinari (!!) e casada com um cavaleiro de nome de’Bardi.
Mas o que interessa mesmo é sua presença na eterna obra de nada mais nada menos do que sete séculos, n’ A Divina Comédia de Dante Alighieri, uma obra magistral e hermética. Beatrice, ou Beatriz… vive ainda hoje, e não porque tenha feito algo que possamos dizer tenha mudado muita coisa no mundo (ao menos que saibamos!), mas porque viveu no desejo platônico de um poeta. Porque passou da dimensão real à ficcional e desta para a realidade que nos interessa aqui, a literária, a poética e a do imaginário coletivo a partir de então. Quem pode dizer que não? E no entanto, lá está ela: Beatrice… a musa de Dante, sua amada, apenas uma mulher amada…

giovedì 26 febbraio 2009

Sarau Literario Eleituras

E por falar em pecado... e por falar em Literatura... fico aqui longe pensando em como seria òtimo poder passar uma bela serata falando de literartura e pecando... pelas letras...

Minha querida amiga, como maluca pela Arte que é, criou (também ela!!) uma grande oportunidade de encontrar pessoas interessadas em literatura e o mais importante, de se poder falar... ler sobretudo... as grandes obras de todos os tempos e lugares... e até dos dias de hoje mesmo, pois em se tratando de Arte, tudo é relativo e o passado e o futuro ja se tornam o eterno presente do ato de leitura...

Se eu estivesse no Brasil, desta vez amiga minha, eu iria mesmo ao Sarau... e estaria me deliciando com leituras e conversas maravilhosas que sei vai acontecer.... no proximo dia 5 de março... Deem uma olhada aqui no http://www.eleituras.blogspot.com/

Pecando por linhas tortas

E por falar em sossego, quero dizer, aquele que traz os inevitáveis desejos que podem te trazer também inevitáveis confusões, começamos mais um período pós-carnaval e no Brasil, o verdadeiro início do ano, com volta às aulas, ao trabalho com vontade e dedicação (?) e aqueles quarenta dias para você pensar no que faz da vida! Quarenta dias todinhos para sua consciência, já que no resto do ano nos esquecemos que faz mal exagerar. E digo exagerar em tudo, não apenas na gula, diga-se de passagem. Falemos então dos exageros, ou se quiser, dos pecados, pois todo exagero tende a ser um dos famosos pecados capitais dos quais todos nós não estamos livres de cometer. Façamos uma revisão pessoal. Gula se combate com regime, certo? Tentativas à parte, acho muito superficial e ineficiente. O que deveríamos mesmo era ao invés de colocarmos nossa fotografia na porta da geladeira, colocarmos as últimas noticias da FAO, isso sim.
Outro. Vaidade. Vaidade das vaidades, está na Bíblia, está nos Eclesiastes, ditos de Salomão, o sabio: “Onde há muita sabedoria há muito enfado e quem aumenta sua sabedoria, aumenta sua dor”. E ainda em Corintios: quem se pensa muito sábio menospreza seu semelhante. Verdade. Basta prestar atenção e saberemos que a soberbia do conhecimento nada acrescenta além da distância do nosso semelhante. Raramente vemos pessoas que utilizam sua sabedoria para ajudar (sim, elas existem), muitas vezes serve apenas para sentirem-se superiores e com o direito de estarem desfrutando dos mais fracos e menos cultos. Basta dar uma olhadinha no mundo moderno. A crise pela qual o mundo está passando hoje é resultado deste desfrutamento desde o início da industrialização. Há quem trabalha e há quem desfruta! Há países que trabalham e países que dão golpes financeiros com repercussões mundiais, alguma idéia do que estou falando?E como todo conhecimento é desvio do corriqueiro, chegamos no mundo da Arte. O artifício que pretende imitar a Criação. Toda tentativa de arte tem lá no fundo um detalhe maligno. Digo isso com dor, pois o meu maior pecado, e agora confesso, é a soberbia do saber. Arte e Literatura são um mundo à parte a que dou tanta ou maior importância do que esse em que tenho que pagar minhas contas ao banco.
Não podemos negar a pretensão de querer ser “Criador”. Não se pode querer negar que ao criar um mundo ficcional, pretendemos que esse seja verossímil, pretendemos que esse tenha todos os elementos, e às vezes criamos outros desconhecidos, que existem no mundo já conhecido pelos seres humanos desde Adão e Eva. E eis que a primeira pretensão de saber foi dela, dela mesma... e acabamos por levar a culpa também disso!
Orgulho. Pretensão de Ser, mas ser exatamente o quê? Pretensão de ser visto, mas ser extamente visto por quem? Escrever, criar literatura, criar composições musicais maravilhosas, deixar essa marca visível no mundo de nossa passagem êfemera por ele. Deixar nosso rastro e lutar contra a invisibilidade. Soberbia. Eis tudo sobre o que pretendo refletir nesses quarenta dias, e enquanto isso terei como dieta a maçã, somente ela...

mercoledì 25 febbraio 2009

é hoje...

Quarta feira de cinzas, como todo ano, là vamos nòs de novo com o tempo de pensar e fazer penitencias. A minha? Estarei tentando, pois a carne é fraca como diz o dito popular, e o "sossego traz desejos" como disse uma vez Guimares Rosa...

lunedì 23 febbraio 2009

Terça feira de Carnaval



O Carnaval de Veneza tem inicio ja no final de 1094, segundo as cronicas da cidade. Eram festas que aconteciam na cidade nos dias que antecediam a Quaresma. Em 1296, o Senado veneziano estabelecu que o ùltimo dia antes da Quaresma fosse feriado. No inicio porém, esse periodo era longo, sendo que jà no primerio domingo de outubro se iniciavam as festas pùblicas com bailes, vendedores ambulantes de doces, os que hoje sao os doces tìpicos de Carnaval veneziano, além de apresentaçoes artisticas e jogos.

Algumas festas de Carnaval ficaram famosas, como a de 1572 quando festejaram a vitòria da guerra de Lepanto ou a de 1587 quando se tem noticia do primeiro desfile de carros e cavalos ou ainda o de 1696, quando desfilaram nobres venezianos vestidos de mulheres!

Depois da queda da Repùblica, com a ocupaçao austrìaca e francesa, a tradiçao do carnaval nao era bem vista e foi aos poucos desaparecendo, continuando apenas na ilha lagunar veneziana de Burano, onde por sorte se manteve até os dias de hoje. Foi somente no final dos anos setenta que o Carnaval de Veneza tomou novo folego e retorna em 1979, crescendo sempre em participaçao e fama mundial.

A palavra Carnaval vem do latim e significa "Adeus à carne", ou seja, "carne vale", lembrando que os dias antes da Quaresma seriam os ùltimos de "satisfaçao terrena", da carne, para entao se iniciar o periodo de jejum e meditaçao que antecede a Pascoa.

Possui um significado muito bonito em sua origem, pois nos faz recordar que hà um claro limite entre o terreno e o celeste, entre os prazeres da carne e o do espirito. As màscaras sao um detalhe à parte e muito significativo também, pois, em Veneza, nesse perìodo de Carnaval, qualquer pessoa, de qualquer origem ou classe social estava protegida em sua identidade, até mesmo as mulheres e homens que se propunham a mudar de papéis na sociedade. Infelizmente hoje, o Carnaval se transformou em algo muito mais descontrolado. Raramente um foliao sabe o porque da folia e o porque da Quaresma. E isso acontece principalmente com os carnavais mais famosos da América Latina. No entanto, em Veneza, ainda se pode festejar e participar do Carnaval "quase" original, màgico e simbòlico. Mascarados ou nao, mas isso ja poderia ser outro assunto, pois mascaras é o que nao falta na nossa sociedade moderna! Temos uma para cada dia do ano.

mercoledì 18 febbraio 2009

Um dia de folga

Tirei o dia de folga. Ha tempos que planejava, e ja que ha tempos nao posso tirar meu ano sabatico, tiro meu "dia sabatico", o que nao é a mesma coisa, mas ajuda muito a recarregar energias e estimular a massa cinzenta.
Destinaçao: VENEZA! Logico!
Parti logo pela manha deixando obrigaçoes diarias para tras e descendo na ultima parada do trem que normalmente me levaria para o trabalho. Desta vez nao. Desta vez desci algumas estaçoes mais a frente: Venezia Santa Lucia. Descer as escadas da estaçao de trem defronte ao canal, ja funciona como um paralisante mental a tudo que foi deixado em terra firme. Desta vez nao me preocuparia nem mesmo com o celular.. alias... desliguei-o... Em Veneza o tempo para e nao ha carros e nao deveria haver nem mesmo celulares...
Uma paradinha no correio para meu velho habito de postais ao redor do mundo... desta vez quem os receberà serao minhas lindas preciosas...
Estrada Nova sempre em frente, giros para a esquerda, para a direita até que passando pelo Relogio, eis que estou em Piazza San Marco. Entro na Basilica e vou direto aos Cavalos de Bronze... magnificos e indescritiveis... visao la de cima da piazza... a Pala d'oro que me ofusca os olhos e a mente por alguns minutos... vou enfrente...
Palazzo Ducale. La dentro por mais ou menos tres horas.... e foi tudo. E nada. E TUDO!
Na volta, aproveitei as fantasias mascaradas de carnaval que ja circulam desde domingo passado para fazer algumas fotografias e o dia termina perfeito para voltar para casa com um sorriso n'alma.

sabato 14 febbraio 2009

O médico da Peste


Hoje nos faz rir um pouco aquela fantasia de carnaval com uma longa tùnica até os pés, luvas até os cotovelos e aquele narigao branco comprido...
Era um costume do século XVI que os médicos se vestissem com uma màscara de bico branco comprido (onde dentro colocavam diversas espécies de ervas medicinais e aromàticas que tinham o objetivo de formar uma barreira de defesa aos pulmoes), chapéu e capas negras para visitarem os doentes pela epidemia da peste negra. Com luvas, levantavam com um bastao a coberta e as vestes do doente, convencidos ingenuamente de que estavam a salvo do contàgio.
A peste negra dizimou tres quintos da populaçao de entao...

giovedì 12 febbraio 2009

P.S.

E ainda ha quem nao ve sentido na Literatura...

E por falar em Marco Polo...

Segundo os historiadores, Marco Polo parte de Veneza aos dezessete anos e retorna apòs vinte e cinco anos, em 1295, à sua terra, onde foi ignorado pelos seus concidadaos. Ainda que poliglota (falava cinco linguas orientais), expressava-se mal em sua lingua materna e se nao tivesse sido feito prisioneiro e "ditado" ao escritor Rusticello suas lembranças, nao teriamos tido conhecimento de suas aventuras...
Isso me faz pensar nos conceitos de literatura que se estuda em Teoria... "narraçao e cura" era um dos temas de pesquisa que me agradava muito... a narraçao como sobrevivencia!

mercoledì 11 febbraio 2009

Livre pela Literatura

Se nao tivesse sido prisioneiro dos genoveses, se nao tivesse tido a necessidade de "contar", como algumas pessoas inexplicavelmente teem, se nao tivesse conhecido nessa mesma prisao genovesa outro importante prisioneiro literato, Rusticello de Pisa, e se este literato nao tivesse recontado em literatura as aventuras que ouvia com interesse, entao nao teriamos esse nome hoje na historia veneziana, teria sido tao somente outro importante navegante medieval como tantissimos outros: MARCO POLO.

martedì 10 febbraio 2009

Cuidado com o que fala!

Eu me lembro muito bem quando foi que pronunciei aquelas palavras. Foi na cantina da universidade, tomando um suco, pois no Brasil se toma um suco de frutas enquanto aqui vai bem um capuccino... Meu professor de literatura alemã me olhou incrédulo e meus amigos com uma pontinha de desconfiança somada à inveja antecipada.
Eu havia acabado de chegar de uma estadia, a minha primeira estadia, de seis meses na Europa para um curso do DAAD na Alemanha. Não tinha sido nada fácil e nada muito relaxante em se tratando de estudos na Alemanha, diga-se de passagem, mas eu havia aproveitado muito bem o meu tempo enquanto estava em Freiburg e podia ir de lá pra cá em trens, isso sim foi um aprendizado, sem contar com os estudos sobre a Estética da Recepção, teoria literária alemã que havia me encantado e que então fazia parte de minhas pesquisas.
O que sempre tive vontade de fazer desde adolescente era viajar e se a viagem combinava estudos, então estava perfeito. Infelizmente o intercâmbio do colégio não aconteceu como eu sempre insisti com meus pais... esperei até que pudesse decidir por mim mesma e quando pude, mandei meu projeto de pesquisa para o DAAD e recebi passagens e salário para seis meses de estudo sobre Germanística na Universidade de Freiburg, aquela mesma onde ensinou Walter Benjamin!
Quando voltei, não passava um mês sem que me metia em congressos e seminários por todo o Brasil para levar minha pesquisa e para conhecer a pesquisa de colegas de outras faculdades e universidades, logicamente tudo, ou quase tudo, com bolsas de estudos que justificava com meu trabalho sério e apaixonado pela literatura e em especial pela Estética da Recepção. Acho que foi um período de deslumbramento e eu aproveitei o máximo que pude, não tenho do que reclamar.
O que me fez lembrar de tudo isso, foi uma lembrança que me veio em mente repentinamente ontem à noite, quando reclamava em voz alta que um pouco de STOP não seria nada mal, quando ouvi aqui em casa sobre os possíveis planos de uma nova mudança de endereço. A verdade é que desde então eu não parei de viajar... sendo em congressos ou não, não parei de fazer as malas e nem sei ao certo se isso foi culpa de minhas palavras pronunciadas com tanta ênfase naquele dia junto aos meus amigos da universidade quando conversávamos sobre o rumo que cada um pretendia tomar nas pesquisas e na vida... Eu simplesmente disse sem pensar muito, que queria e que iria ser turista! Viajante! Nada mais nada menos... Será que eu deveria ter pensado antes de falar?

lunedì 9 febbraio 2009

E o vencedor é...

Orhan Pamuk, em seu discurso pelo recebimento do Premio Nobel de Literatura de 2006, faz todo um elogio ao pai que, de certa maneira, lhe deu a possibilidade de ser um escritor. Isso se entende nas entrelinhas, o que é explicito até demais e que me dà nos nervos, é ver como o pai, um homem sempre ausente da familia, sempre em viagens pelo mundo, sempre com interesses burgueses, é demasiadamente elogiado pelo entao maior escritor turco da atualidade... (quanto ao premio, nao vamos citar o fato da grande polemica de seu livro que trata do assunto delicado dos armenios e turcos!). E é sempre assim... nenhuma palavrinha à mae que provavelmente esteve presente todo o tempo... Enquanto trancado em seu quarto para escrever seu primeiro livro que o iniciou na literatura, provavelmente estava la preparando o jantar e pronta a ajuda-lo em qualquer probleminha mais pratico... e no entanto, foi ao pai a quem ele dedicou todas aquelas paginas que li ontem, com raiva e indignaçao...
Ok... ainda estou tentando le-lo... vamos ver...

venerdì 6 febbraio 2009

Final de semana tem doce...

E nao é que a caixa de coisinhas do Brasil està quase acabando?
Hoje é dia de sagù!
Acho que teremos que providenciar um "carregamento" de novas provisoes...

Chazinho

E eu que pensei que a culpa fosse do Pippo!
Ha algum tempo que tenho tido uma alergia inexplicàvel na pele dos braços e costas... sem saber o que pudesse ter provocado. Algo que tenha comido? Nada de diferente... e entao a primeira coisa que me passou pela cabeça era que finalmente tinha descoberto porque nao gosto de animais em casa... ALERGIA!
Ok... fiquei longe dele... nao toquei nele... e nada da alergia passar.
Até que um dia me dei conta que nao tinha mais aquelas coceiras desagradàveis e nao parei de pensar nisso até que ontem à noite fui fazer um chà que nao tomava ha algum tempo: Canela!
Pensei que nao, afinal, sempre coloquei canela na comida, no leite e adoro canela para dizer a verdade. Porém desta vez acho que havia passado do limite mesmo, pois procurando as reaçoes que pode causar se utilizadas com exagero, descobri que nao era somente contra indicada para gestantes como ja sabia, mas que também pode causar irritaçoes na pele.
E isso tudo com a famosa Canela de Istanbul....

giovedì 5 febbraio 2009

Hoje de manha...

Entao a quarta cruzada envolveu os venezianos assim por acaso?
Depois da conquista de boa parte do territorio do oriente pelos cristaos, faltava somente Jerusalém nas maos dos infiéis, fato que ainda hoje nao esta la bem resolvido. Querendo entao a libertaçao da cidade santa, o Papa Inocencio III inicia a quarta cruzada chamando o mundo catolico para a reconquista de Jerusalém e do Santo Sepulcro. Era o ano de 1195...
Veneza, terra de comerciantes, maritimos, mercadores e negociantes com povos do oriente, nao somente nao se interessa muito pela nova tentativa contra os muçulmanos, como pede uma dispensa para continuar negociando com o Egito sem ser excomungada, uma vez que desse comercio dependia sua propria sobrevivencia. Bizancio ve isso como uma insolencia...
Enquanto isso a opiniao publica faz aumentar o numero de cruzados que levarao a cabo a quarta cruzada e Veneza se compromete a construir naves e possibilitar que a expediçao chegue à Terra Santa, prevista para o ano de 1202. O tempo passa e nada dos venezianos receberem seu pagamento pelas naves e é entao que tornam-se cruzados por acaso...
A proposta do Doge Dondolo é que os cruzados paguem os venezianos com os saques feitos... assim os venezianos se tornariam cruzados e seu capitao seria o pròprio Doge...
A historia continua com outros detalhes, mas o que mais me fascina é pensar que a maior parte das obras fantasticas que se ve em Veneza, é resultado de saques de guerra! Um verdadeiro baù de piratas...

martedì 3 febbraio 2009

Chove de todas as cores...

Semana toda programada com chuva e muito frio ainda. Pela manha, a caminho da escola com as meninas, ainda sonolenta, com o rosto gelado por ter esquecido do cachecol (foi o sono) que normalmente subo até o nariz, chegar até o portao da escola nao foi nada fàcil. Um mar de guarda-chuvas de todos os tamanhos e cores lutando como aves gigantescas na direçao de nossas cabeças. Aqueles guarda-chuvas tìpicos de restaurantes e hoteis que o porteiro tem sempre à mao para uma ajudinha até o carro da madame... Mas, às 7 e meia da manha... verde luminoso, alaranjado e todo o arco-iris... parecia um pesadelo. Voltei pra cama assim que consegui chegar em casa...
PS: às vezes meu texto fica sem os acentos corretos... nao, nao estou ja com a nova ortografia portuguesa... e acho que nem vou me preocupar com isso agora, o que acontece é que esse computador nao tem os devidos acentos e letras do nosso portugues... e eu, nao é todo dia que tenho paciencia de ir ao Word e depois colar o texto aqui... portanto... desculpe a nossa preguiça!

domenica 1 febbraio 2009

Ainda inverno

Neve la fora ainda hoje, depois de um dia de sol nesta semana que me fez pensar que o tempo finalmente fosse mudar, hoje o café da manha foi com a paisagem na janela de flocos de neve caindo e o Pippo que queria entrar para ficar no quentinho... Ok, hoje pode....

Serenamente

Não é sempre, mas há quem, no passar dos anos, se pergunte e se interesse pela origem de sua família somente para começar e acaba por iniciar uma verdadeira investigação sobre a origem de sua própria raça. De minha parte, iniciei com a cidadania, uma verdadeira odisséia, no próprio significado do termo, uma vez que caracterizou e ainda vem caracterizando uma “volta”, ainda que às avessas.
Cidadã italiana, européia enfim reconhecida, me dispus a verificar in locus de onde vieram os antecedentes de minha família paterna, já que aqui em Castelfranco, os parentes distantes que encontrei, já não me pareciam tão distantes assim, afinal, não se passaram nem cem anos da partida de meu bisavô desta terra vêneta que começo a conhecer, e eu quero mais, quero saber muito mais além desses quase cem anos. Após idas e vindas a Stoccareddo, idas e vindas na memória de minha própria infância para a devida compreensão do que venho experimentando nesses dois anos de Itália, começo meus estudos sobre os Vênetos. E isso sem deixar de colecionar aprendizado sobre a história de Veneza, sempre e para sempre, minha cidade eterna e serena – La Serenissima.

giovedì 29 gennaio 2009

Isso ja se sabia

Que fosse complicado ter cachorro aqui na Italia, ja tinham nos contado. Mas que era realmente uma maratona... Vacinas (obvio), microchip... hummmm.... comidas e isso e aquilo aconselhadas pela ex-cuidadora, uma fanatica de animais que ao que pareceu, gasta um terço do que seria meu salario com comida e "otras cositas" caninas...
Nem preciso dizer que cortamos pela metade a mordomia que o coitadinho vinha tendo na outra casa, mas logicamente continua tendo uma vida de cao... coisa que muita gente gostaria... suponho eu... sabe-se la... O que nao falta é o carinho que as meninas estao esbanjando com ele e eu começo a quebrar o gelo.... vamos ver...

Pippo

Amanha comemoramos duas semanas com o Pippo em casa. Depois de hamsters, o Antaro e a Flor, depois do Cometa, nosso querido coelhinho branco nada maluco (sem relogio e sem pressa), agora, finalmente, nosso Pippo é nosso mais novo mascote. Lindo. A unica coisa que ainda nao entendi dessa historia, pois a ideia nao foi minha, apenas concordei para felicidade geral aqui em casa (fora a minha), é como faremos quando estivermos com os bilhetes da proxima viagem comprados? Vai junto? Fica? E...??

mercoledì 28 gennaio 2009

Giornata della Memoria

Ontem foi o Dia da Memoria, marco da libertaçao dos judeus de Auschwitz e do inicio de revelaçoes de horror por parte dos sobreviventes dos campos de concentraçoes nazistas. Desde a semana passada que se podia ver pela tv os depoimentos e reportagens feitas com as historias de senhroes e senhoras que saidos do inferno da guerra, souberam reconstriur suas vidas e agora contam suas historias para que nao se percam no esquecimento e principalmente para que nao pensem que tudo o que disseram e ainda dizem, é fruto de imaginaçao. Vendo e ouvindo o que esses senhores teem a dizer, nao me parece de modo algum que seja tudo inventado ou exagerado.
E essa é uma das coisas que vez ou outra me acontece, quero dizer, dificilmente, no Brasil, ouviria pessoalmente de um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, historias de como se esconderam dos inimigos e de como conseguiram seguir em frente apesar de todo o horror que viveram. Ouvi isso nao faz muito tempo, na sala de espera de um consultorio medico. Um senhor contava a outro como havia se escondido com seu tio na ponte de Budapest... de como faziam para que os inimigos nao o achassem e de como voltou para a vida.... digamos... normal!
Ouvia os dois conversando e me dava conta que eu estava ali, diante de um tempo que passava ainda pela memoria daqueles dois homens. Nunca tinha me acontecido de presenciar tal pedaço vivo de historia.
Desde domingo, pela tv, assistimos depoimentos parecidos de judeus que agora vivem na Italia e que sairam ha mais de 50 anos do inferno de Auschwitz. E pensar que andando pelas ruas, se pudessemos ouvir os pensamentos e pesadelos das pessoas mais velhas que encontramos pelo caminho, teriamos uma bela oportunidade para nos lembrarmos de agradecer a nossa vida... facil... isso sim....

domenica 25 gennaio 2009

Istanbul

O que dizer dessa primeira experiência num país muçulmano? Na verdade, pensava muito antes de partirmos em como seria caminhar pelas ruas com minha história nas costas e observar o que me apareceria inevitavelmente diante dos olhos. Homens com seus bigodes inacreditáveis, mulheres com seus véus discretos e outros nem tanto. Seus charmes inconfundíveis. Lembrei-me de uma aula de literatura quando meu professor nos dizia que devido ao fato de que as mulheres de certas culturas terem que esconder seu corpo e possuirem apenas os olhos descobertos, desenvolveram um modo de se expressar através do olhar que lhes é inconfundível. Algo que as ocidentais não possuem normalmente. Uma força no olhar, como um último grito que possam lançar, aliás, o único que podem, disfarçadamente, descaradamente para quem os capta e interpreta. Uma aventura nos rostos dessas mulheres.
Por sua vez, o olhar do turco é atrevido. Nada sutil, um olhar de quem está habituado a não se reprimir, ao contrário, prático em buscar seu alvo para exercitar-se no domínio que teêm que exercer. Uma sensação de que os antigos otomanos eram ainda piores nesse poder.
De qualquer maneira, teêm um olhar bonito, forte e ameaçador. Algo para se entender melhor.

Acordar às sete da manhã já era uma experiência interessante. O som que vinha dos minaretes era algo novo para nós e me deixava encantada, como se aquelas palavras cantadas fossem mesmo encantatórias. Cinco vezes ao dia podíamos ouvir o chamado às orações das mesquitas em Istanbul. As horas das orações se calculam segundo o movimento do sol: por exemplo, o momento da oração do meio dia começa quando o sol acaba de sobrepassar seu zenit em uma localização determinada. Por isso, muda segundo as estações dependendo de onde nos encontremos no mundo. Deste modo, não há nem um só momento em que uma oração não esteja sendo feita no mundo. Algo para se pensar.

A chamada às oraçoes é recitada em árabe pelo muecin e se espalha pela cidade através dos alto-falantes do minaretes de cada mesquita da cidade.
Ainda parece que iremos ouvir a melodiosa voz dos muecins de Istanbul.

Ferias... continua

E por falar em conflitos, alguém acreditaria que nossas férias, em principio seriam em Israel? Parece que essa preocupação com nossa segurança não ia ter jeito mesmo, não poderíamos ter cancelado de maneira alguma, pois já teria nos pego em pleno terreno de guerra. Acho que os próximos planos de viagem por aqueles lados terão que considerar que as meninas fiquem com os avós.


Depois do ano novo, depois da neve que caiu e que continua caindo por aqui, partimos de Veneza para Zurique e em seguida para Istanbul! Dias de mal tempo, afinal não estamos no período ideal para viagens, muito frio, risco de neve e certeza de chuva. Chuva quase todos os dias, mas que foram resolvidos de bom humor com capas e muita roupa quentinha.
Chegada sem problemas e a minha primeira visão da antiquíssima Constantinopla deixou-me impressionada e fascinada. Minaretes, muitos deles pontando em toda a extensão de cidade que se podia ver do avião que descia lentamente. O céu por sorte ainda estava um pouco claro, (outro problema desta época são as poucas horas de claridade que se tem para os passeios, pois às cinco horas da tarde já está escuro e ainda mais se o tempo está chuvoso), e se podia ver a cidade como nunca imaginei: mesquitas por toda a parte, erguendo-se aqui e ali. Nos dias seguintes iria ouvir de quando em quando as chamadas pelos alto-falantes desses mesmos minaretes, para os fiéis se dirigirem às mequitas para as cinco orações diárias dos muçulmanos.
Visitamos primeiramente a antiga igreja de Santa Sofia, construída para ser a maior do império romano do oriente e sem dúvida é uma das maiores igrejas já construídas. Com a queda de Constantinopla foi transformada em mesquita pelos otomanos que maravilhados com suas abóbodas e dimensões, quiseram, de certa forma, copiá-la e assim construiram a Mesquita Azul exatamente à sua frente na praça que hoje é um dos lugares mais turísticos de Istanbul.
Estar dentro de Santa Sofia, que hoje é um museu, é viajar no tempo. Lugar comum dizer isso, eu sei, mas não há outro modo de explicar. Tudo lá dentro é gigantescamente importante e significativo. O sentimento de que naquele lugar entravam imperadores do mundo antigo, pessoas que fizeram a história, deixa-nos não somente de boca aberta, mas com a mente quase paralizada, olhos atentos nos detalhes, nas cores e sombras, no espaço que nos envolve (sorte não haver tantos turistas lá dentro!) e na certeza de que somos seres paradoxalmente pequenos e gigantes ao sermos capazes de construirmos lugares como este. Este sentimento eu já havia provado antes, não é novo, mas ele se renova a cada maravilha que tenho o privilegio de conhecer deste nosso mundo. Viver para viajar e conhecer não deixa de ser um destino maravilhoso. Tenho sorte.
A visita à Mesquita Azul foi tão emocionate quanto a da igreja de Santa Sofia. Deixamos pra visitá-la depois de alguns dias e no final da tarde, o que se mostrou ser uma ótima idéia, pois as cores do céu, das luzes se acendendo, tanto na mesquita, quanto em Santa Sofia enfrente, proporcionaram fotografias maravilhosas, se não bastasse o assombro da nossa visão ao sairmos de lá de dentro.
Como o esperado, tivemos que entrar pelo lado dos turistas, tirar os sapatos e eu cobrir os cabelos. Lá dentro um espaço imenso. Silêncio, luzes pequenininhas num imenso candelabro central, tapete em todo o chão, escritos do Corão pelas paredes, azulejos azuis e brancos, e pessoas abobalhadas com toda aquela maravilha. Era hora de visita turística e por isso não se viu nenhum fiel fazendo pregação. Foi indescritível. Sentamo-nos no chão e ficamos olhando para o teto, para os lados, fechando os olhos, abrindo-os de novo para verificarmos que não estávamos sonhando. As meninas ficaram ali, sem saber muito bem a importância do que estavam presenciando, mas seguramente se maravilharam também com as cores e com a atmosfera da grande Mesquita Azul.

Os passeios seguintes foram os inevitáveis, aqueles programados e esperados. Não os esquecerei nunca! Sabemos que teremos que voltar a Istambul, pois ainda há muito o que ver e aprender. Voltei com a sensação de estar dividida entre a minha preferida Veneza e a recém apaixonante Istanbul. Qual delas me tocou mais? Qual delas me apaixonou mais, ainda não sei dizer. Veneza para mim é minha cidade eternamente linda, fantástica e misteriosa, mas Istanbul aos poucos está tomando meus pensamentos e a vontade de conhecê-la melhor já não me deixa.

domenica 11 gennaio 2009

Em Atenas

Desta vez nossas férias foram, ao menos para mim, um pouco preocupantes, pois justamente no início de dezembro houve a revolta dos estudantes em Atenas. Imediatamente pensei que pudéssemos cancelar a viagem, mas lógico que isso era ridiculamente impossível. Então, o que fazer com as meninas se as coisas não melhorassem até o dia da partida? Esperamos atentos aos noticiários e com a torcida de que tudo voltasse ao normal. Passaram os dias e as malas inevitavelmente foram feitas e estavam ali no quarto esperando para o grande dia. Movimento pelas ruas de Atenas não havia mais, fora alguns comentários mais alarmantes de noticiários estrangeiros. E lá vamos nós... Zurique, dois dias de passeio e um frio de tirar o chapéu para esse inverno! Haja chocolate quente e café a cada duas horas ou menos de caminhada pelas ruas literalmente congeladas, pois havia nevado nos dias anteriores. Cachecóis, botas, luvas e casacos pesadíssimos nas meninas e lá vamos...
Vôo para Atenas, tranquilo. Chegada e deslumbramento logo de cara, pois a Acrópolis estava lá ... bem lá encima na nossa visão abobalhada da janela do ônibus que nos levou para o centro onde estava o hotel. Bom, os dias seguintes foram de sonho total, frio também e uma chuvinha chata que no terceiro dia mudou as cores de nossas fotos. O carro alugado salvou o passeio pelos arredores de Atenas, bem quentinhos e protegidos da chuva!
A revolta? Não vimos nada... além das vitrines quebradas das grandes lojas do centro moderno, a praça onde tudo começou com a árvore de Natal que tinham queimado mas que já estava refeita... muitos policiais pelas ruas e muito frio... só isso!

sabato 10 gennaio 2009

Balanço

Todo final de ano fazemos sempre as mesmas considerações e desejamos sempre que no ano que apenas irá iniciar, nossa vida se torne mais interessante, mais saudável, mais tudo de bom. Dezembro vai terminando e aquela listinha de coisas feita para servir ao ano que está para acabar, aquela, guardada na gaveta, finalmente é lembrada e dou uma olhadinha para ver o que consegui fazer de todos aqueles planos, que afinal a cada ano se tornam menos impossíveis, pois percebi (com a idade) que o possível é só planejar e o impossível a gente dá um jeito e acaba acontecendo também!. Ok, pois aquela lista, este ano ainda não fiz. Ainda estou repassando o que me surpreendeu este ano.
Há dois anos que nessa minha listinha estava escrito lá no final: “Ir sem falta à Grecia”. Não que em 2007 não tenha saido de casa... pelo contrário, mas Grécia sempre acabava estando fora do roteiro e do bolso... Por fim... 2008 foi um ano de viagens, mais do que os outros... Férias de verão (europeu) no Brasil, aniversário em Praga e finalmente Natal em Atenas! Tudo já foi dito sobre a Grécia, tudo, a cada instante no mundo, está sendo dito sobre a Grécia e sua herança deixada ao mundo ocidental. Tudo. E eu o que quero dizer sobre Atenas é que tudo aquilo que sentia nas aulas de história, desde que tinha meus onze anos e prometia a mim mesma que um dia iria pisar e tocar aquele solo grego fantástico, é que não se compara à emoção de estar num lugar como a Grécia. Onde a história teve seu palco e onde toda a filosofia ocidental iniciou. Sócrates e Platão caminharam por lá, suas vozes ecoaram por aqueles mármores e eu, finalmente cumpri a minha promessa de criança...