sabato 20 dicembre 2008

Tienen alas los àngeles? Vuelan los hombres?


Premio para quem souber que livro é esse e de quem...

venerdì 19 dicembre 2008

Um pouco de confusao mental

Não foi uma leitura fácil eu admito. Também não foi nada fácil deixar de lado o livro, mesmo quando meu tempo se resumia a leituras neuróticas dentro do trem ou na estação quando perdia o mesmo. Assim se passaram esses dois últimos meses. Uma vergonha para quem em dois meses já teria lido uma lista bem razoável de livros obrigatórios ou não. Os tempos são outros e para exemplificar exatamente o tema: “tudo é relativo”!
Esse resumo da história moderna da física que acabo de ler, da certeza da física clássica ao fragmentário mundo da física quântica, se é que se pode assim dizer, foi uma viagem no tempo e no espaço, sem trocadilhos!
D. H. Lawrence escreveu sobre a relatividade, estas poucas mas significativas palavras:

“ A relatividade”
Agrada-me a teoria da relatividade e do quantum, porque não a compreendo e me dão uma sensação que o espaço se move ao meu redor como um cisne inquieto, resignado a ficar parado e a deixar-se medir; é como se o átomo fosse uma coisa impulsiva que mudasse continuamente sua intenção.


Heisenberg formula o princípio de incerteza da matéria que num experimento realizado pelo fisico, revela a incapacidade de ser observada num determinado espaço, num determinado tempo, causando um “desconforto” no meio da física clássica que previa uma causa e um efeito para todo acontecimento físico.
Bohrn, mais filósofo do que físico, busca responder aos grandes dilemas que a física quântica causa no mundo científico e chega à formulação do princípio de complementariedade. Numa partícula que ora se apresenta como onda de energia e ora como partícula de matéria, apresentam-se como dois lados de um mesmo fenômeno que irá ser determinado de acordo com o modo e o meio pelo qual seja observado.
Einstein protesta: “Deus não joga dados”! Não aceita a física quântica como certeza e procura provar por meio dos seus experimentos mentais que o princípio da incerteza não está completo. Sua teoria da relatividade, no entanto, pressupõe um observador que determina o experimento, ao menos dependerá do que se observa, para se obter resultados específicos.
Disso tudo, posso dizer com toda a clareza que a física quântica pode proporcionar numa leitora leiga como eu, que se o princípio da incerteza explica o Big Bang, mas ao contrário não pode ser levada em conta quando se observa todo e qualquer fenômeno físico, ou seja, se a física clássica ainda é valida e valorosa, diga-se de passagem, para o nosso dia-a-dia que a todo momento se comprova como uma reação a uma causa e portanto se mostra como um efeito determinado, por que não levar em conta que os dois princípios são possíveis e complementares, verdadeiros nos mais intrincados fenômenos assim como nos mais corriqueiros?
Assim como Deus não joga dados, podemos fazer uma comparação apressada mas nem por isso falsa de todo, ao contrário, quase esclarecedora do que possivelmente ocorre, ao menos assim podemos crer, nós que não somos ateus e que cremos num Deus Todo Poderoso, que assim como Ele pode conduzir os acontecimentos do mundo, o que na verdade seriam aqueles momentos a que se refere o príncipio da incerteza, do causal, do ato “sem razão de ser”, Ele pode também vez ou outra, como um piloto deixa sua aeronave no “automático”, deixar os acontecimentos do mundo seguirem regras claras e simples de causa e efeito, até que Ele decida novamente “tomar as rédeas de sua criação”. Por que não?

domenica 14 dicembre 2008

Fim dos tempos...

Além das chuvas, do tempo ruim por toda a Itália e da sensação de que está tudo uma confusão, a TV não para de mostrar programas catastróficos sobre a crise financeira que chegou com tudo por aquí. Alguns até mesmo a comparam aos tempos do final da grande guerra. Milhares estão sem enprego ou em casa, recebendo a “cassa integrazione” como se chama aqui, ou seja, não trabalham porque não há trabalho nas empresas, mas recebem mesmo assim 70% do salário, o que não é nada mal diga-se de passagem, se comparado ao que pode estar acontecendo em países como o Brasil por exemplo.
Se aqui na Itália o governo tem se mostrado, mais ou menos “salvador da pátria”, nos países nórdicos então, é quase inimaginável a ajuda que os cidadãos estão recebendo para enfrentar essa crise mundial, que de mundial parece que vai ser reduzida apenas aos paises pobres, como sempre.
Falando com uns e com outros, mais ou menos entendidos do assunto, e principalmente com o economista aqui de casa, se chega facilmente à conclusão de que, se realmente este não é o final dos tempos e todos nós vamos para o beleléu, quem vai pagar mesmo o pato disso tudo vai ser o terceiro mundo, pois, se dos Estados Unidos o pepino pulou para a Europa, aqui é que os figurões não vão deixar estourar mais ainda a bomba e começarão a passar a bola pra frente, se é que me entendem...
E para completar a sensação estranha de que tudo já está arranjado, ontem no “El Pais” se podia ver um artigo que falava de “governos europeus comprando terras na América do Sul, África e Ásia”. Para que? Para garantirem comida, simplesmente isso, a crise verdadeira e catastrófica é a crise dos alimentos que já há tempos vem causando preocupações. Logicamente quem produzir alimentos terá a faca e o queijo na mão...

venerdì 12 dicembre 2008

Um dia de Kafka

“Acordar pela manhã pode ser a hora mais perigosa do dia”.
Esse pensamento kafkiano o li pela primeira vez n’O processo e me causou uma impressão tão forte que passei a ter manhãs assombrosamente cuidadosas. Segundo K., cada vez que passamos do estado de vigília ao estado do sono, é como se deixássemos o mundo do lado de cá para vivermos num outro, com cujas regras não conhecemos totalmente quando estamos no estado desperto. Todos os dias pela manhã, devemos fazer um esforço para reconhecer o mundo que havíamos deixado nos seus mínimos detalhes e ordem idem. Mais ou menos como a sensação de acordarmos num quarto desconhecido e não saber de qual lado está a janela, a porta, etc... Esses segundos de reconhecimento diário são tão misteriosos quanto perigosos.
E se por uma brincadeira do acaso, despertarmos num espaço com aconteciementos que não reconhecemos como sendo os que nos cabe? Nossa vida trocada e nosso quarto um espaço desconhecido e frio? E o que é pior, ninguém que saiba nos dizer o que foi que nos acontecesseu durante a noite?

mercoledì 10 dicembre 2008

Selva

Era uma cidade quase comum se não fosse os estranhos animais que zanzavam nas ruas. Uns deles sabiam perfeitamente para onde ir ou onde parar, outros os seguiam, sendo aqueles de menos iniciativa para caça, lá estavam no rastro ou muitas vezes até mesmo abrindo caminho. Mas haviam outros que por instinto ou inteligência (discutível), transformavam-se repentinamente, de acordo com o perigo ou obstáculo à frente. Eram leões que se despojavam de sua juba e ali ficavam a atravessar tranquilamente a ruazinha esquecida, ou em vez disso, um pequeno caõzinho que lhe cresciam garras enormes e dentes prontos a atacar na travessia até o outro lado da avenida movimentada desta manhã.
Eram assim os habitantes dessa cidade quase comum, e nenhum deles, consta, tomava um café da manhã tão completo assim!

domenica 7 dicembre 2008

Queimada


Até 2003 minha rotina e de toda dona-de-casa, ou ao menos daquele que não queria deixar que se acumulasse a sujeira da queimada de cana-de-açúcar no quintal, sobre o carro e se deixássemos até mesmo sobre nossas cabeças, era fazer uma limpezinha básica de todas as manhãs. Nada de passar um pano úmido, pois isso deixaria uma sujeira ainda maior. Vassoura na mão e a torcida para que não houvesse vento! E no quintal? Como tirar aquela neve de “cisco-preto” (como dizia minha mãe) sem ser politicamente incorreta? Impossível, ou quase... Para minhas vizinhas era um ritual diário, e vê-las com a mangueira d’agua que se esticava invariavelmente para os dois lados da rua, a minha, a delas, a nossa calçada, era motivo de indignação da minha parte e da quase perda de controle de civilidade. Por certo que um dia eu disse a elas que não desperdiçassem água para lavarem a rua, mas, como no vácuo o som não se propaga (dessa vez como dizia meu avô), lá estavam elas, toda manhã, fazendo a mesmíssima coisa. Eu, por outra parte, me deixava levar pela paisagem cinzenta e solo tomado pelo cisco-preto de todos os dias. Aquilo entrava pelas janelas e pelas narinas indistintamente e alergias eram não somente comuns, como companheiras de todos os anos na época da colheita de cana-de-açúcar. Felicidade para meu pai, trabalho dobrado para minha mãe, diga-se de passagem. Lembro-me de uma tentativa minha de participação na Câmara Municipal para o protesto da queimada da cana, e mais ainda me lembro do olhar do meu pai no jantar daquele mesmo dia, quase o mesmo que sentia fuzilar-me a nuca na sessão da Câmara: eu na primeira fila e parentes na última... Como explicar meu ponto de vista e como entender o deles? O interessante de lembrar-me de tudo aquilo, é que passados quinze anos, o prefeito da cidade pode ter a mesma lembrança minha... e sabe-se lá o que anda fazendo hoje quanto àquele assunto que um dia me estragou o jantar.
Ok, mas o que me fez lembrar disso tudo? Juro que foi o gelo que tive que tirar dos vidros do carro antes de levar as meninas para a escola... juro...

sabato 6 dicembre 2008

Inverno


Ainda abro a janela pela manhã esperando pela neve anunciada. Semana passada, minutos antes de sair com as meninas direto para a escola, deparamo-nos com a repentina neve que havia iniciado a cair. Nada daqueles floquinhos que vimos no ano passado, desta vez, em poucos minutos o chão, telhados, árvores e tudo... absolutamente tudo, estava branquinho como na terra do Papai Noel! Nem preciso dizer que as meninas adoraram e eu também, lógico, pois estando de folga, poderia fotografar Castelfranco como há tempos esperava. O que não esperava era encontrar a bateria da câmera pela metade e constatar que às duas da tarde a neve do castelo já havia derretido e lá se foram as fotos maravilhosas que sonhei fazer! De qualquer forma, “lo comido y lo bailado, nadie me lo quitan!” e por isso continuo com as imagens em minha mente, como um arquivo esperando pela próxima atualização.

venerdì 5 dicembre 2008

Televisão

Todos sentados. Uns pelo tapete, os mais jovens, outros pelas poltronas e sofás cobertos por tecidos já desbotados, os mais tristes.
O avô sentava-se em sua poltrona reclinável e proibida para outros que não fosse ele, sua atitude era silenciosa e às vezes misteriosa. Alí estavam seus cigarros de palha ao lado, junto aos seus materiais para novos cigarros de palha e seus netos pelo chão da sala todas as noites.
Olhavam para frente, ainda que isso não significasse nada metafórico ou simbólico. O que viam eram imagens em preto e branco recém descobertas. Naqueles anos, ainda eram poucas as casas em que haviam aquelas imagens em preto e branco que nos traziam algumas histórias e sons engraçados.
Os mais jovens continuavam no chão e tentavam vez ou outra moverem-se mais que as imagens em preto e branco, mas o olhar silencioso de quem acendia seu cigarro de palha os detinham. Os mais tristes observavam-se uns aos outros e não diziam nada.
Os sons cessavam e então quem falava primeiro era o avô e dizia: Essas crianças não vão pra cama?

martedì 2 dicembre 2008

Acqua alta

Veneza está em alerta: 99% alagada até mais de um metro e meio. Televisão e jornais mostram as imagens da cidade sob as águas. Alagamento surpreendente que em Veneza chamam de Acqua alta, a maré que sobe e que deixa turistas e moradores com água até a cintura, isso mesmo! Até a cintura com as famosas botas e os rostos preocupados (dos moradores) e sorridentes (dos turistas lógico!) que caminham cuidadosos e a passos lentos, arrastados e intrigantes, ainda mais quando alguns deles insistem em fazer os mesmos trajetos que normalmente se faz para ver a Praça San Marco, tomada por agua de um metro e meio, e caminhar pelos canais, que por sinal se transformam em verdaderias armadilhas, pois um passo em falso e lá vai um senhor de oitenta anos sendo socorrido e levado ao hospital por cair no canal depois de não ter percebido ter passado do limite do que chamaríamos “calçada”. Carregam com si as malas e esperam poder chegar até o hotel que não sabem se está acima ou sob as águas. Veneza ainda e sempre continua sendo minha cidade preferida, mas depois de uma ventina de vezes que piso sua “terra ferma” e percorro caminhos tanto maravilhosos quanto misteriosos, ainda não me decidi a pegar o trem e chegar propositalmente a Veneza Santa Lucia num dia de chuva, prefiro que me pegue de surpresa, assim não tenho como escapar, ainda que me assustaria ver o mar engolindo os palácios venezianos.Veneza se salva todos os dias de caprichos da natureza e dos turistas que não a abandonam nem em dia de temporal.