Não foi uma leitura fácil eu admito. Também não foi nada fácil deixar de lado o livro, mesmo quando meu tempo se resumia a leituras neuróticas dentro do trem ou na estação quando perdia o mesmo. Assim se passaram esses dois últimos meses. Uma vergonha para quem em dois meses já teria lido uma lista bem razoável de livros obrigatórios ou não. Os tempos são outros e para exemplificar exatamente o tema: “tudo é relativo”!
Esse resumo da história moderna da física que acabo de ler, da certeza da física clássica ao fragmentário mundo da física quântica, se é que se pode assim dizer, foi uma viagem no tempo e no espaço, sem trocadilhos!
D. H. Lawrence escreveu sobre a relatividade, estas poucas mas significativas palavras:
“ A relatividade”
Agrada-me a teoria da relatividade e do quantum, porque não a compreendo e me dão uma sensação que o espaço se move ao meu redor como um cisne inquieto, resignado a ficar parado e a deixar-se medir; é como se o átomo fosse uma coisa impulsiva que mudasse continuamente sua intenção.
Heisenberg formula o princípio de incerteza da matéria que num experimento realizado pelo fisico, revela a incapacidade de ser observada num determinado espaço, num determinado tempo, causando um “desconforto” no meio da física clássica que previa uma causa e um efeito para todo acontecimento físico.
Bohrn, mais filósofo do que físico, busca responder aos grandes dilemas que a física quântica causa no mundo científico e chega à formulação do princípio de complementariedade. Numa partícula que ora se apresenta como onda de energia e ora como partícula de matéria, apresentam-se como dois lados de um mesmo fenômeno que irá ser determinado de acordo com o modo e o meio pelo qual seja observado.
Einstein protesta: “Deus não joga dados”! Não aceita a física quântica como certeza e procura provar por meio dos seus experimentos mentais que o princípio da incerteza não está completo. Sua teoria da relatividade, no entanto, pressupõe um observador que determina o experimento, ao menos dependerá do que se observa, para se obter resultados específicos.
Disso tudo, posso dizer com toda a clareza que a física quântica pode proporcionar numa leitora leiga como eu, que se o princípio da incerteza explica o Big Bang, mas ao contrário não pode ser levada em conta quando se observa todo e qualquer fenômeno físico, ou seja, se a física clássica ainda é valida e valorosa, diga-se de passagem, para o nosso dia-a-dia que a todo momento se comprova como uma reação a uma causa e portanto se mostra como um efeito determinado, por que não levar em conta que os dois princípios são possíveis e complementares, verdadeiros nos mais intrincados fenômenos assim como nos mais corriqueiros?
Assim como Deus não joga dados, podemos fazer uma comparação apressada mas nem por isso falsa de todo, ao contrário, quase esclarecedora do que possivelmente ocorre, ao menos assim podemos crer, nós que não somos ateus e que cremos num Deus Todo Poderoso, que assim como Ele pode conduzir os acontecimentos do mundo, o que na verdade seriam aqueles momentos a que se refere o príncipio da incerteza, do causal, do ato “sem razão de ser”, Ele pode também vez ou outra, como um piloto deixa sua aeronave no “automático”, deixar os acontecimentos do mundo seguirem regras claras e simples de causa e efeito, até que Ele decida novamente “tomar as rédeas de sua criação”. Por que não?