venerdì 12 dicembre 2008

Um dia de Kafka

“Acordar pela manhã pode ser a hora mais perigosa do dia”.
Esse pensamento kafkiano o li pela primeira vez n’O processo e me causou uma impressão tão forte que passei a ter manhãs assombrosamente cuidadosas. Segundo K., cada vez que passamos do estado de vigília ao estado do sono, é como se deixássemos o mundo do lado de cá para vivermos num outro, com cujas regras não conhecemos totalmente quando estamos no estado desperto. Todos os dias pela manhã, devemos fazer um esforço para reconhecer o mundo que havíamos deixado nos seus mínimos detalhes e ordem idem. Mais ou menos como a sensação de acordarmos num quarto desconhecido e não saber de qual lado está a janela, a porta, etc... Esses segundos de reconhecimento diário são tão misteriosos quanto perigosos.
E se por uma brincadeira do acaso, despertarmos num espaço com aconteciementos que não reconhecemos como sendo os que nos cabe? Nossa vida trocada e nosso quarto um espaço desconhecido e frio? E o que é pior, ninguém que saiba nos dizer o que foi que nos acontecesseu durante a noite?

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