giovedì 20 novembre 2008

Filosofando

Disseram que é uma profesora de Filosofia aposentada e sem herdeiros. Já se pode dizer muito com isso, ou quase, se não fosse o insólito de sua atitude que abrange repercussões muito bizarras. Ser intelectual, mulher e bem sucedida, pressupõe, logicamente nas mentes machistas e politicamente incorretas, que essa senhora não teve tempo nem pelo menos vocação para formar uma família, ao menos essa que estamos acostumados a dizer ser uma família: pai, mãe, filhos, tartarugas, peixinhos coloridos, hamsters e agora também um coelho que se chama Cometa e passa o dia num canto da cozinha em sua gaiola ou então passeando por entre os pés das cadeiras e sofá da sala, mas essa do coelho é uma outra história.
A história que está virando lenda em Triestre é de uma acadêmica aposentada que esta semana se despojou de seus bens antes que, num futuro próximo, acabem nas mãos do governo. Apresentou-se às autoridades e fez saber de sua decisão de doar tudo o que tem: casas na cidade, ao menos tres, casa na praia, jóias de família e dinheiro, algo bem razoável. Os felizardos são estudantes, escolhidos, dentre os melhores alunos, de forma aleatórea, na pura sorte, bem ao gosto filosófico. Não poderão se desfazer dos presentes antes dos 25 anos de idade e por enquanto terão que se contentar com o usufruto em vida da senhora misteriosa, já chamada carinhosamente de “A Dama”.
O que dizer do mistério? Ninguém sabe quem seja a misteriosa senhora nem os misteriosos afortunados. A messenas pós-moderna se esfumaça no limbo dos dias de hoje, enquanto tantos querem se fazer vistos e ilustres, uma ao menos se imortaliza na história da cidade com um ato de protesto. Ou então, o que seria essa loucura terna e sensível, numa época de cortes govenamentais para a educação e crise econômica? Apenas um aviso de conforto para os que, longe deste mundo, se veêm noutro: regido por regras diversas, com resultados diversos, mas que nos falam tão precisamente das verdades, e não apenas de uma. Essa história fala do mundo que abrange tanto o meu quanto o seu e o daquela senhora. Nada mal para uma filósofa.

Nessun commento: