Depois do leite no microondas, o café na moca quase evaporando e a internet interrompida por falta de bateria, desisto de conectar-me esta manhã. Aproveito para procurar algumas palavras esquecidas ainda nas pontas dos meus dedos. Alguns já sem nenhum anel que os sustentem como num passado não muito passado assim, digamos. Houve manhãs quando esses dedos tiravam palavras de luzes que entravam pela janela, hoje, as janelas estão abertas, mas a luz da manhã ainda não chegou, o sol ainda dorme e eu deveria fazer o mesmo. No entanto, estamos aqui, a moca, a torradeira que me avisa e esses dedos que insistem em tirar palavras de onde nem sei ao certo se existam ainda. Estou em jejum. Estou com sono e quero minhas palavras de volta.
Tenho ainda alguns minutos de tentativa antes que definitivamente a solidão desta manhã acabe e alguns rostos desconhecidos tenham que contentar-se com meu bom dia sem convicção e meu olhar distraído. Sei que o dia passará como numa viagem no tempo. A espera pelo resultado contribui para meu sono inacabável. Caminharei mais rapidamente hoje.
Tenho ainda alguns minutos de tentativa antes que definitivamente a solidão desta manhã acabe e alguns rostos desconhecidos tenham que contentar-se com meu bom dia sem convicção e meu olhar distraído. Sei que o dia passará como numa viagem no tempo. A espera pelo resultado contribui para meu sono inacabável. Caminharei mais rapidamente hoje.
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