giovedì 20 novembre 2008

Ciao Bella!

Poucas vezes me lembro de desconhecidos que me cumprimentam na rua. Poucas o suficiente para não me lembrar quando foi a última vez antes das duas que me aconteceram essa manhã. Uma manhã já marcada pela sensação de que a cama seria um ótimo lugar para passar o resto das horas entre o despertar e o adormecer novamente. Aqueles dias que se você não desperta como um besouro verde, o simpático Gregor que vem e vai conforme o humor, tem-se a sensação de que as horas do dia duplicaram.
Entre uma caminhada decidida e outra meio sem rumo de hoje, respondi com um leve balançar de cabeça ao cumprimento de “buon giorno” vindo de um senhor, possivelmente estrangeiro (ainda vou entender porque consigo identifica-los!), que ao caminhar sob um pórtico ao meu lado por pouquíssimos segundos, pois eu caminhava mais rapidamente do que ele, me desejou o que duvidava que teria: um bom dia! Ok. Passado o momento de leveza, pois se não me engano, quando ainda me atrevia a certas filosofias cotidianas, esse tipo de acontecimento sempre nos carrega para uma reflexão meio metafísica ou no mínimo te faz pensar: “Será que estou com a cara suja?” ou “Exagerei nas cores hoje?” Para quem, na maioria das vezes procura passar desapercebida, um bom dia de um desconhecido te faz pensar tantas possiblidades nada satisfatórias... e o tiro acaba saindo pela culatra, pois o que seria um augurio de bom dia, uma boa intenção da parte do desconhecido, passa a ser a neurose do dia. Principalmente se na mesma manhã o dejà vù insiste e você já nem sabe o que responder de volta ou se balança novamente a cabeça e vai enfrente esperando que o dia termine e que o outono passe logo e Kafka te abandone por mais alguns anos.
Desta segunda vez parei, olhei a senhora que me dirigia a palavra e lhe disse sem mais nem menos: “Ciao, mas... eu não me lembro da senhora... nos conhecemos de onde?” e ela simples e descaradamente corretíssima em sua serenidade matinal defronte a um Cafè de Castelfranco: “Não importa, apenas um “olá” assim por nada...”
E eu fiquei com aquele “Ciao” que me martelava a testa o dia todo.

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